Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

 

Sobre ENEM, SiSU e UERJ - Esclarecimentos

Com a divulgação das notas do ENEM e da UERJ 2011, é frequente que haja alguma desinformação a respeito de como interpretar os resultados. Por isso, apresento aqui alguns esclarecimentos:


1) Não existe uma "nota final" do ENEM ou uma fórmula para calculá-la.

Na verdade, existem cinco notas distintas, uma para cada área do conhecimento, além da redação. Cada uso do ENEM implicará uma forma de cálculo diferente. Imaginemos um aluno com as seguintes notas finais:
  • Linguagens - 742,5
  • Matemática - 856,0
  • Ciências da Natureza - 792,3
  • Ciências Humanas - 648,0
  • Redaçã0 - 840
Esse aluno é candidato de Medicina e deseja usar sua nota para tentar UFRJ e Unirio. Além disso, estuda em um colégio X, cuja posição no ranking do ENEM dependerá de seu desempenho. Teríamos, assim, três fórmulas diferentes de cálculo da "nota final":
  • SiSU / UFRJ: (3xRED + 2xCN + 2xLING + 1xCH + 1xMAT) / 9 ---> NOTA= 788,18
  • SiSU / Unirio (se não houver pesos): média aritmética das cinco notas ---> NOTA= 775,76
  • Resultado do Colégio X: [RED + (CN+CH+LING+MAT)/4]/2 ---> NOTA= 799,85
Portanto, cada uso do ENEM gera uma nota final diferente. Pesquise sobre os pesos aplicados na carreira e na instituição escolhida.


2) A PUC não participa do SiSU.

Isso parece óbvio, já que a PUC é particular, e o SiSU é um sistema de universidades públicas, mas muitas pessoas se esquecem desse fato. O Inep mandará as notas diretamente para a PUC. Aí, com base na sua inscrição no vestibular da PUC, quando você colocou seu número do ENEM, eles produzirão o resultado final. Ou seja, se uma pessoa não se inscreveu na PUC, não poderá usar a nota do ENEM agora.


3) As notas de cada área refletem o grau de dificuldade da prova, e o número de acertos do candidato não tem significado em si.

Já havíamos comentado bastante a esse respeito: a nota final reflete o grau de dificuldade da prova. Se um estudante acerta, por exemplo, 40 questões na prova de Matemática (que foi difícil) e 40 na de Ciências Humanas (que foi fácil), sua nota em Matemática será muito maior que a de Ciências Humanas. O raciocínio é simples e justo: seu desempenho foi apenas aparentemente igual nas duas áreas (número de acertos); na verdade, ele se saiu muito melhor em Matemática do que em CH.

Com isso, se um aluno tem capacidade equivalente a 750 pontos, ele acertará mais ou menos questões no ENEM, dependendo do grau de dificuldade da prova. A TRI apenas calcula essa verdade que estava oculta na diferença entre as áreas.


4) À exceção da redação, as provas NÃO têm nota máxima definida previamente (por exemplo, 1.000 pontos).

A explicação do item anterior é apenas uma simplificação para facilitar o entendimento da TRI. Na verdade, o funcionamento do sistema é um pouco mais complexo: o Inep estabelece como premissa para as provas de múltipla-escolha que a média nacional seja, necessariamente, 500 pontos. Ou seja, somando os cerca de 4,5 milhões de estudantes que fizeram a prova de Matemática e dividindo por 4,5 milhões, a nota média seria 500.

A partir daí, o sistema calcula as notas dos estudantes, utilizando dados sobre o desempenho dele em cada habilidade medida. Então, se uma prova foi fácil, haverá poucos estudantes com um número baixo de acertos. Se isso ocorrer, para manter a média 500, os estudantes que acertaram muitas questões não poderão ter notas finais muito altas, para não distorcer a média pré-definida.

Se, ao contrário, uma prova foi difícil, haverá muitas provas com baixo número de acertos, que puxariam a média para baixo. Como a média precisa ser 500, quem acertou mais questões (mesmo que não sejam tantas assim) terá notas finais mais altas.

O próprio Inep divulgou explicações sobre a TRI. Clique aqui para ler a notícia e aproveite para conferir as notas mínimas e máximas do ENEM 2011, que estão no link ao final da página.


5) As regras detalhadas do SiSU ainda não foram divulgadas.

Assim que houver informações, publicaremos aqui todo o tutorial para a inscrição de vocês.


6) Só conseguiremos calcular as notas de corte preliminares da UERJ para poucas carreiras.

A UERJ divulgou as notas das provas discursivas. No caso da maioria das carreiras, existem provas de disciplinas coincidentes com as de outras carreiras. Por exemplo: os alunos de Direito e os de Jornalismo fazem provas de LPI+R, LPLB e História. Então, não temos como distinguir as notas deles, o que impede o cálculo de uma nota de corte prévia. Só haveria nota de corte para o grupo, o que não significa nada.

Nos casos de Psicologia e Desenho Industrial, que são carreiras únicas em seus grupos, podemos prever a nota de corte antes da revião. No caso de Medicina, mesmo havendo outras carreiras no grupo, como é muito mais concorrida, também é possível fazer uma previsão.

Estamos calculando essas notas e as divulgaremos em breve aqui, já incluindo dados sobre o Exame de Qualificação e as cotas. Mas, atenção: essas não serão notas finais; serão apenas indicadores para os alunos avaliarem a necessidade de pedido de revisão.

Sobre a revisão da UERJ, dados importantes

Período: 03 e 04 de janeiro de 2012
Local: UERJ (campus Maracanã) - Pavilhão João Lyra Filho - térreo
Laboratório de Informática
Horário: das 10 às 17 horas


# postado por Bruno Rabin às 2:40 PM
Comentários:
Obrigada, Bruno!!! Estamos no aguardo!
# postado por Blogger Palma às 4:05 PM
 
Bruno,
Aparentemente, as provas de LIN e HUM, particularmente, foram demasiadamente fáceis, i.e., muita gente acertando um número elevado de questões. Tal fato diminui, significativamente, a dispersão do traço latente - a tal "habilidade" a que você se referiu. Em outras palavras, a distribuição das notas finais fica concentrada ao redor da média hipotética de 500 e as notas tendem a ficar muito parecidas, e relativamente baixas, pois o desvio-padrão foi pequeno (assumindo que o INEP usa um desvio-padrão igual a 100 na escala das notas). Quando isso acontece, a prova perde seu poder de discriminação pois tanto o aluno bem preparado quanto o mal vão bem na prova, que é "nivelada por baixo". No entanto, isso não é verificado em Matemática, prova em que a "habilidade" tende a ser distribuída, historicamente, de forma mais esparsa, se aproximando mais da Distribuição Normal Padrão.
De qualquer forma, diversas referências sobre a TRI apontam que a correlação -- medida estatística que avalia o quanto duas variáveis aleatórias variam estão "em sintonia" uma com a outra -- entre o ranking baseado na nota da TRI e no baseado no número de acertos -- ou pela "Teoria Clássica" -- é muito alta, maior do que 0.95. Logo, provavelmente, quem acertou um número elevado de questões absolutamente a ser bem colocado no ranking da TRI. Há exceções, mas essas são aberrações estatísticas.
# postado por Blogger Leonardo às 1:38 AM
 
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